1º Encontro TRIC: Como a tecnologia e a integração de órgãos públicos buscam reduzir o Custo Brasil no TRIC
- Patrick Rosa
- 8 de jul.
- 2 min de leitura
Atualizado: 10 de jul.

Representação gráfica criada por inteligência artificial (ChatGPT).
O 1º Encontro de Transporte Rodoviário Internacional de Cargas (TRIC) seguiu trazendo discussões essenciais para o futuro logístico do país. No segundo painel, intitulado "Integração e Desburocratização no Setor Público", lideranças governamentais e especialistas debateram soluções práticas para transformar as aduanas brasileiras em canais fluidos de passagem de mercadorias.
Sob a mediação de Iana Araújo Rodrigues, gerente da ANTT, o consenso do debate foi claro: a redução do "Custo Brasil" e dos atrasos nas fronteiras depende diretamente de uma gestão coordenada e inteligente entre os múltiplos órgãos fiscalizadores.
1. Gestão Coordenada: "Controlar Melhor, Não Menos"
A consultora do Instituto Procomex, Mariana Gomes Bandeira Melo, destacou que a facilitação do comércio internacional não pressupõe o afrouxamento da fiscalização, mas sim a sua otimização. O foco deve ser a Gestão Coordenada de Fronteiras, eliminando duplicidades de trabalho entre agências nacionais e seus pares estrangeiros.
Mariana reforçou ainda o papel estratégico do setor privado como parceiro no desenvolvimento de soluções, apontando que qualquer novo processo regulatório ou aduaneiro deve ser desenhado em sintonia com a realidade prática de quem opera o transporte de cargas na ponta.
2. Receita Federal e a Transição para a Era dos Dados
Representando a Receita Federal, o auditor Carlos Eduardo da Costa Oliveira apresentou as ferramentas tecnológicas que estão redefinindo o papel da fiscalização nas aduanas terrestres, com destaque para três pilares:
Avanço da DUIMP: O Novo Processo de Importação (NPI) avança para centralizar e agilizar o desembaraço, permitindo o registro antecipado de cargas e mitigando as retenções físicas nas fronteiras.
Sistema Argos: Utilizando inteligência artificial e APIs para captar dados de câmeras de OCR, sensores e GPS em tempo real, o Argos visa monitorar "rotas confiáveis". Na prática, os caminhões poderão fluir do ponto de partida ao destino final com o mínimo de interrupções burocráticas.
Benefícios da Certificação OEA: Empresas habilitadas como Operador Econômico Autorizado (OEA) ganham prioridade na triagem e na liberação, usufruindo diretamente dessas simplificações de trânsito, e reduzindo drasticamente o tempo parado.
3. MAPA: Central de Análise e Inspeção Remota
O agronegócio exige uma vigilância sanitária rigorosa. Cléverson, representando o Vigiagro (MAPA), explicou como a tecnologia tem suprido o desafio de quadros limitados de servidores de maneira inteligente:
Central de Análise Remota: Fiscais agora podem auditar e liberar documentos de qualquer lugar do país de forma descentralizada.
Inspeção Remota: Projeto que utilizará recursos de vídeo e tecnologia de transmissão para realizar a verificação física de cargas à distância, otimizando o fluxo e diminuindo o tempo ocioso dos veículos nos pontos de controle.
Para as transportadoras que operam no comércio exterior — em especial nos corredores da região Sul, que concentram 60% do fluxo internacional —, as inovações apresentadas reforçam que a conformidade operacional não é apenas uma exigência jurídica, mas sim uma vantagem logística competitiva.
A modernização proposta por sistemas como o Argos e a DUIMP tende a beneficiar empresas organizadas e transparentes. Diante desse cenário de transição digital, estruturar processos de conformidade aduaneira e adotar canais de planejamento especializados tornam-se ferramentas indispensáveis para evitar filas, mitigar riscos fiscais e garantir previsibilidade às operações internacionais.
(Esta é a segunda parte de nossa cobertura especial sobre o 1º Encontro TRIC. No próximo artigo, continuaremos a analisar as inovações e as mudanças operacionais nas fronteiras do Mercosul).