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1º Encontro TRIC: Modernização e desafios operacionais ditam os rumos do transporte internacional de cargas

  • Foto do escritor: Patrick Rosa
    Patrick Rosa
  • 2 de jul.
  • 3 min de leitura

Representação gráfica criada por inteligência artificial (ChatGPT).



O 1º Encontro de Transporte Rodoviário Internacional de Cargas (TRIC) consolidou-se como um marco para debater as transformações e as novas diretrizes do setor no Brasil. Com debates focados em inovações tecnológicas e marcos regulatórios, o evento evidenciou que o segmento passa por um momento de transição acelerada, impulsionado pelo crescimento do comércio exterior no Mercosul.


Para compreender os impactos práticos dessas mudanças na rotina das transportadoras, preparamos uma análise técnica dos principais pontos apresentados no primeiro painel do encontro, conduzido pelo Superintendente da SUROC/ANTT, Sr. José Aires Filho.


1. O Desafio da Atualização Regulatória


Embora o Acordo sobre Transporte Internacional Terrestre (ATIT) de 1990 continue sendo a "Constituição" jurídica do setor, definindo regras de habilitação, documentos e seguros, o cenário atual exige um nível de conformidade (compliance) muito mais robusto do que o previsto originalmente na era pré-internet. Operar no comércio exterior hoje requer ir além do básico exigido pela legislação para garantir a segurança jurídica das transações.


2. A Promessa da Digitalização e Desburocratização


A ANTT anunciou o desenvolvimento do novo Sistema TRIC, que visa automatizar cerca de 90% das demandas cotidianas (como inclusão de frotas e emissão de licenças) diretamente pelo portal gov.br, sob o conceito de autosserviço. O sistema será integrado ao Web Service Mercosul, permitindo o compartilhamento de dados em tempo real com os países vizinhos para acelerar as liberações aduaneiras e a fiscalização nas fronteiras.


3. Crescimento Expressivo e Perfil do Setor


O modal rodoviário é vital para a balança comercial, respondendo por cerca de 39,16% das exportações e 35% das importações brasileiras. Entre 2024 e 2025, o setor de exportação registrou um crescimento expressivo de 12,3% — um ritmo superior aos demais modais —, alcançando o patamar de US$ 22,35 bilhões em mercadorias exportadas.


No entanto, o mercado se mostra altamente pulverizado: das 1.025 empresas habilitadas no país (com uma frota ativa de quase 100 mil veículos), 51% são pequenas e médias empresas que possuem até 30 veículos. Para esse perfil de transportador, a ausência de uma estrutura interna dedicada ao comércio exterior reforça a importância de contar com suporte e assessoria aduaneira especializada para sustentar a expansão no Mercosul de forma segura.


4. Concentração Geográfica e Gargalos Operacionais


A dependência de rotas específicas continua sendo um dos maiores desafios logísticos do país: cerca de 60% de toda a movimentação de carga internacional está concentrada em apenas três pontos de fronteira: Foz do Iguaçu, São Borja e Uruguaiana. Essa alta concentração torna as operações vulneráveis a atrasos severos, onde qualquer falha de fluxo resulta em prejuízos operacionais imediatos.


No panorama regional, a Argentina se mantém como o principal parceiro em valor financeiro (44,8% das exportações), enquanto o Paraguai lidera em volume (31,1%), impulsionado pelo agronegócio. Por outro lado, o comércio com países como o Peru ainda enfrenta barreiras burocráticas, como o sistema de cotas (cupos), que limita a competitividade e capacidade de expansão das empresas brasileiras.


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Para as transportadoras que buscam crescer no mercado internacional, os dados do TRIC revelam que o aquecimento do setor exige, obrigatoriamente, ganho de eficiência. Diante de gargalos físicos históricos e de uma transição digital em andamento, planejar as operações com foco em compliance aduaneiro é o caminho essencial para evitar que as margens de lucro sejam consumidas pelo tempo de espera nas fronteiras.


(Este é o primeiro artigo de uma série especial sobre o 1º Encontro TRIC. No próximo texto, analisaremos em detalhes o impacto dos novos sistemas digitais na redução do tempo de retenção de frotas nas fronteiras).


 
 
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