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1º Encontro TRIC: Corredores logísticos, integração física e novas tecnologias de trânsito aduaneiro

Foto do escritor: Patrick Rosa
Patrick Rosa
13 de ago.
3 min de leitura

Representação gráfica criada por inteligência artificial (ChatGPT).


O segundo período de debates do 1º Encontro do Transporte Rodoviário

Internacional de Cargas (TRIC) teve início com foco no planejamento de longo

prazo para a infraestrutura e na facilitação de fluxos comerciais continentais.

No Painel 4, sob o tema "Corredores Logísticos e Integração" e com mediação de

Daniele Bernardes (CNT), autoridades e especialistas discutiram como os

corredores logísticos sul-americanos podem transcender as obras de engenharia

física para operar como canais integrados de eficiência, segurança operacional e

desenvolvimento geopolítico.


Abaixo, apresentamos os principais avanços regulatórios, as rotas estratégicas e

as tecnologias apresentadas pelos painelistas para otimizar o trânsito aduaneiro

nas fronteiras.


1. OEA, Argos e o Conceito de Pátio Virtual


O coordenador da Receita Federal, Antônio Márcio de Oliveira Aguiar, detalhou

uma das iniciativas mais inovadoras para a desburocratização aduaneira nas

fronteiras terrestres: a criação do conceito de "pátio virtual", viabilizada

pelo programa de Operador Econômico Autorizado (OEA) em sinergia com o sistema

Argos.


- Controle Dinâmico: Veículos de empresas devidamente certificadas como OEA

serão monitorados por meio de rastreamento por satélite e sistemas de

câmeras inteligentes desde a origem do carregamento.

- Trânsito Rápido (Free-flow): Ao chegarem aos portos secos, esses caminhões

contarão com um gate de acesso exclusivo, realizando de forma automatizada

apenas a pesagem e o escaneamento da carga. O tempo de permanência estimado

dentro da estrutura aduaneira é de apenas 5 minutos.

- Fase Piloto: Um projeto piloto para testar essa modalidade de fluxo rápido

está programado para iniciar as operações na fronteira de Chuí ainda este

ano.


2. Geopolítica, Rotas para o Pacífico e Aspectos Humanos


O diplomata e Ministro João Carlos Parkinson (MRE) defendeu que a estruturação

de corredores rodoviários integrados em direção ao Oceano Pacífico confere

segurança geopolítica ao continente, reduzindo a dependência histórica em

relação ao Canal do Panamá para as exportações destinadas ao mercado asiático.


Além do aspecto logístico, Parkinson chamou a atenção para a necessidade de

humanizar a atividade. O ministro sugeriu a padronização continental de pontos

de parada e descanso estruturados, juntamente com a harmonização de regras para

duplas de motoristas. O objetivo é combater a exaustão física nas estradas,

prevenir acidentes e reduzir o consumo de substâncias estimulantes decorrentes

do cansaço.


3. O PNL 2050 e as 5 Rotas de Integração Sul-Americana


A coordenadora do Ministério dos Transportes, Camilla Perotto, detalhou as

diretrizes do Plano Nacional de Logística (PNL) 2050, enfatizando uma importante

mudança de visão governamental: o planejamento de longo prazo agora se concentra

na estruturação de corredores de escoamento contínuos, superando a análise

tradicional de modais de transporte de forma isolada.


Complementando essa abordagem de conectividade, Cálicles Mânica (ANTT)

apresentou as cinco rotas de integração sul-americana e apontou desafios

regulatórios que as transportadoras enfrentam nas fronteiras físicas:


- As cinco rotas: Rota da Ilha das Guianas, Rota Amazônica, Rota do Quadrante

Rondon, Rota de Capricórnio e Rota Porto Alegre-Coquimbo.

- Os desafios operacionais: Barreiras como a ausência de seguradoras

regulamentadas na Guiana (na Rota da Ilha das Guianas) e as restrições

impostas pelo sistema de cotas de transporte (cupos) no Peru (na Rota do

Quadrante Rondon).


4. Sistema TIR: Redução de até 30% nos Custos do Corredor


Para encerrar os debates do painel, Elaine Radel (Infra SA) apresentou estudos

detalhados sobre a implementação do Sistema TIR (Convenção de Trânsito Aduaneiro

Internacional). O regime permite a lacração física da carga no país de origem

sob controle aduaneiro, simplificando os trâmites burocráticos e dispensando

inspeções físicas intermediárias nos postos de fronteira dos países de trânsito.


De acordo com as simulações apresentadas pela Infra SA, a adoção plena do

Sistema TIR ao longo do corredor bioceânico tem o potencial de gerar uma redução

de até 30% no custo total da viagem, viabilizando um salto expressivo na

competitividade do transporte rodoviário internacional de cargas.


Para as empresas que atuam na cadeia de comércio exterior, as discussões do

Painel 4 sinalizam que a eficiência operacional nas rotas internacionais

dependerá cada vez mais de conformidade em processos aduaneiros e modernização

de frotas. A consolidação de corredores integrados e o avanço de iniciativas de

trânsito rápido, como o Sistema TIR e os pátios virtuais para empresas OEA,

mostram que o transportador precisa alinhar suas rotas à conformidade

regulatória para usufruir dessas vantagens nas fronteiras e assegurar

competitividade a médio e longo prazo.


(Esta é a quarta parte de nossa cobertura especial sobre o 1º Encontro TRIC.

Continue acompanhando nosso blog para mais análises sobre os rumos do transporte

internacional de cargas).

 
 
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